sábado, setembro 29, 2007

curar-me de ti



Espero curar-me de ti em alguns dias.

Devo deixar de fumar-te, de beber-te, de pensar-te.

É possivel.

Seguindo as prescrições da moral em voga.

Me receito: tempo, abstinencia, solidão.
Te parece bem que nao te queira mais em uma semana?

Não é muito, nem é pouco, é bastante

Em uma semana se pode reunir todas palavras de amor

que já foram pronunciadas sobre a terra e as pode queimar no fogo.

Vou queima-las nessa fogueira de amor carbonizado.

E também o silencio.

Porque as melhores palavras de amor estão entre duas pessoas que não se dizem nada.


Há de se queimar também essa linguagem paralela e subversiva daquele que ama.

(Tu sabes como te digo que te quero quando falo: “que calor faz”, “da-me agua”, “sabes dominar?”, “se te fiz de noite”…

Entre as pessoas, de um lado as suas e de outro as minhas, te falava “ja é tarde”, e voce sabia que dizia “te quero”.)
Uma semana mais para reunir todo o amor do tempo.

Para dar-lhe. Para que fazer com ele o que queiras:

guardar-lo, acaricia-lo, joga-lo ao lixo.

Não serve, é certo. Somente quero uma semana para entender as coisas.

Porque isto é muito semelhante a estar saindo de

um manicomio para entrar em um mausoleu.

“Me falaram da marijuana, da heroína, dos fungos, da cocaina. Por meio das drogas chegava a Deus, se tornava perfeito, desaparecía. Mas eu prefiro meus velhos alucinantes: a solidão, o amor, a morte.”


by Jaime Sabines.

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